
Esse fim de semana foi bom e tenso ao mesmo tempo. Bom porque, de certa maneira, consegui descansar após uma semana turbulenta, em que quase virei a noite e ainda tive um "pico" da obsessão gravídica. Mas foi tenso porque no sábado aconteceu algo que me deixou bem chateada. Estava voltando do curso de inglês e, após ter saído de um restaurante self-service no qual almocei com Amore, notamos que minha mochila estava aberta. Na hora deu aquele aperto no coração e fui conferir minhas coisas. Estava faltando uma bolsinha, tipo porta-níquel, na qual coloco algumas coisas muito importantes. Nela estavam dinheiro (cerca de R$70,00, que, para mim, é uma grana que que faz falta), alguns cartões e meu crachá do trabalho. Fiquei muito triste, chegamos a refazer o trajeto para ver se a pessoa teve a caridade de pegar só a grana e jogar a bolsinha com o resto pela rua. Mas nada. Voltamos no restaurante e perguntamos, mas não deu em nada. Cara, foi questão de dois minutos. Fiquei com raiva de mim e me culpando, pois logo eu que sou tão esperta para essas coisas fui fazer tanta burrada! Coloquei a bolsinha no bolso da frente da mochila, um bolso raso e de fácil acesso. Não consigo me lembrar se fui eu que deixei o bolso aberto, mas acho que isso tenha sido o mais provável pois, se a pessoa abrisse, acho que teria sentido o movimento. Deixei a mochila nas costas! Sei que isso é o óbvio, mas passo naquela região todos os dias e como ela é meio "muvuquenta" eu SEMPRE coloco a mochila na frente, na barriga, sabe? Justo naquele dia, foi acontecer toda essa conjuntura que culminou num furto!!! Me culpei por ser tão distraída, tão idiota, aff... Mas já passou. A grana vai fazer falta, é claro, mas felizmente não vai me fazer passar nenhuma necessidade nem deixar nenhuma conta sem pagar. O único trabalho chato foi ter que ligar para cancelar todos os cartões e ficar sem o dito cujo, até o novo chegar. Vou ter que fazer todas as operações bancárias no caixa comum, pegando uma baita fila pois é começo de mês!!! E fiquei sem grana para almoçar pois meu Visa Vale também foi furtado e o novo só chega em até sete dias úteis... Que saco... Mas enfim, já passou e o que posso fazer é agradecer a Deus por estar tudo bem, por não ter sido um assalto com violência e tudo mais, por não ter colocado documentos na bolsinha, enfim, focar nas coisas boas. Estou aqui, vivinha da silva, com saúde e com os mesmos planos, sonhos, delírios e diarreias mentais de sempre. Hahahahaha... Continuo a mesma maluca de sempre, isso não podem tirar de mim! =D
Passado o desabafo com o furto, vou entrar no assunto que mais me assombra desde os primórdios de minha precoce e recente vida adulta. Sim, a obsessão gravídica. Agora, preciso fazer essa reflexão: se eu sei muito bem que minha vida adulta é precoce e recente, e também sei muito bem que passa suuuuper rápido (vide relato da galera mais velha), por que será que esta anta aqui, em vez de curtir de tudo quanto é maneira, quer apressar tudo, quer antecipar as coisas, pular etapas, colocar a carroça na frente dos bois? Por que? Por que? Por queeeeeeeee??? Olha, se eu tivesse assim, na ponta da língua, uma resposta minimamente coerente para essa complexa pergunta, acho que metade dos meus problemas estariam resolvidos. Pelo menos os problemas de ordem emocional. O que acabaria influenciando positivamente nos problemas de ordem prática, uma vez que eu, mais feliz e bem resolvida, viveria bem melhor em todos os campos!!! Uau, que maneiro, descobri a fórmula do sucesso, né?! Pode ser que sim, mas e agora, comofaz? Como bota em prática? Sei lá sabe... É complicado. É muito lindo fazer planos perfeitos e racionalíssimos, saber tudinho na teoria... Mas não dá pra esquecer que sou um ser humano, altamente complexo como qualquer outro. E não adianta ter uma estratégia militar orquestrada no papel se, na hora do "vamo vê" existem uma séria de nuances internas e externas que vão influenciar direta e indiretamente.
Durante o sábado e o domingo o assunto filhos ficou martelando insistentemente na minha cabeça. Por alguns instantes eu abraçava a ideia de ter o filho "pra ontem", mas era só pensar em algum outro plano que não foi concluído que eu "jogava" a ideia do filho mais pra frente, para quando tal plano já fosse uma realidade. Ultimamente tem sido muito difícil "enganar" ou convencer a minha mente de qualquer coisa relativa a esse assunto. Até funciona na hora, mas eu mesma não dou credibilidade porque sei que não vai durar muito tempo. Esse fim de semana, por exemplo, eu já me "decidi" por umas três datas completamente diferentes: dezembro/2011; julho/2012 e julho/2014(!!!!!)... Lembrando que essas seriam as datas pra largar o AC e não para engravidar/parir, até porque, isso eu não controlo!!! Hahaha Apesar de ser um bocado controladora, disso eu tenho consciência!!! Hehehe
E essa é minha vida, minha "batalha interna": estou eu, normalmente, assistindo TV, lavando a louça, lendo ou fazendo comida... Qualquer um acha que está tudo normal, mas não faz ideia de que, dentro dessa minha caxola, estão acontecendo embates épicos, com um número infinito de rounds e, ainda sem vencedor. A cada round, um dos "lutadores" ganha e eu fico ainda mais confusa. Para fazer com que a razão ganhe, é muito simples: basta eu imaginar, naquele momento em que estou especialmente ocupada e/ou cansada, uma criança me demandando muito, precisando de atenção, cuidado, carinho, fazendo pirraça... Eu desisto na hora! Kkkkkkkkkk Ou então imagino a gente querendo visitar minha família, que mora em outra cidade e aí lembro dos casais com filhos pequenos que sempre encontramos no ônibus, um perrengue danado para entrar no busão, impossível levar carrinho, pois esse ônibus só tem uma porta pra descer e subir, e tem uma roleta que impede a passagem de um carrinho mesmo fechado, fora que o corredor é apertadíssimo, portanto, enfia o carrinho aonde? Sei que parece um detalhe bobo, mas não quero ficar isolada dos meus familiares e nem dependendo de carona ou táxi (caro!)... Na nossa realidade de casal s/ filhos, um carro é até desnecessário. Mas com um bebê/criança, faz muita diferença porque a gente passa a carregar muita tralha. Hahahaha Portanto, acabei definindo como meta que nós precisamos ter um carro antes de ter um baby. Mas isso vai demorar pelo menos um ano, pois quero juntar a grana para pagar a vista. (e será um carro barato, de segunda mão, que custe menos de R$10 mil, senão não dá!) Não quero me meter em prestações pois o carro em si já trará despesas como combustível, estacionamento (nosso prédio não tem), seguro, manutenção, ipva etc. E ainda tem o gasto que teremos para que meu Amore tire a carteira (eu tenho pavor de dirigir, nem tentarei). Desse modo, acho que a data de Julho/2014 acaba sendo a mais coerente mesmo. =/ Mas quem disse que meu coraçãozinho ansioso entende?
Por outro lado sei também que tudo isso não é condição
sine qua non para ter um filho. Sei que muita gente tem até mais de um filho ganhando bem menos que eu, sem carro, sem uma estrutura mínima. Mas se eu posso esperar para dar algo melhor para ele, pra que antecipar sabendo que vou passar perrengue? Sinto que é um bocado egoísta de minha parte trazer uma criança ao mundo simplesmente porque eu quero e não pensar na vida desse ser humano que virá. Será que a vida dele/dela vai ser boa? Sei que darei o meu melhor, é claro, mas esse melhor não seria melhor ainda caso eu demandasse de mais tempo/dinheiro/estrutura para gerar e criar esse filho? Em compensação, quem foi que ditou as regras do que é "condição ideal" para ter um filho? Uma criança rica é necessariamente mais feliz do que uma criança pobre ou classe média? E aonde ficam as coisas que o dinheiro não paga? Meu filho vai, necessariamente, ser infeliz por eu não ter carro, não poder pagar a escola mais cara, não viajar para a Disney, não ter os brinquedos mais caros ou as roupas de marca? Sinceramente, creio que não. Eu, quando criança, só andava de ônibus, estudei em escola pública e fui bolsista nas particulares, nunca saí do Brasil, nunca nem viajei de avião, dificilmente tinha algo de marca e estou aqui, realizada e, hoje, mesmo trabalhando e ganhando meu dinheirinho, nunca me apertei pra comprar algo "de marca" ou "da moda". Fico feliz por não ter ficado dependente dessa economia baseada no status, na imagem, no "eu tenho" e não no "eu sou". Provavelmente, se na infância eu tivesse tido toda aquela "mordomia", hoje eu não saberia viver sem ela e aí sim eu teria que esperar até uns 35 anos ou mais para conquistar todo esse luxo. Mas, como atualmente eu já cheguei no patamar de qualidade de vida que eu tinha na minha infância, é normal que eu me sinta satisfeita e capaz de criar um filho com o que possuo.
Bom, vou ficar por aqui porque já escrevi demais e isso já está parecendo um testamento.