Sinceramente, quando eu comecei a ter contato com essa "blogosfera materna", há mais de 3 anos, eu não fazia ideia da existência de toda essa polêmica acerca dos "tipos de parto". Não tinha conhecimento da "batalha" parto normal X parto cesáreo e nem das outras dicotomias que vejo por aí, como por exemplo amamentação X leite artificial etc e tal. E, quando descobri todo esse universo, confesso que fiqueium tanto chocada ao ver como eu era "inocente" e como as coisas aconteciam ali debaixo do meu nariz sem que eu me desse conta.
Para começar, eu nunca sequer cogitei fazer uma cesariana sem uma real indicação. E isso não é opinião formada a partir da blogosfera não! Eu não fui influenciada (diretamente) por ninguém. Eu simplesmente cresci assim. O normal, o natural, pelo menos para mim, era isso. Na minha família 99% das mulheres tiveram partos normais. Se foram partos humanizados, dignos, respeitosos, aí eu já não sei, visto que foram pelo SUS e daí, já sabemos como é na maior parte da rede né: mulher sozinha, largada, ouvindo grosserias da equipe, médico "frio", enfim, todo aquele "pacote SUS"... Mas acho que a mulherada estava até acostumada, achava que isso era o padrão, não sabiam que podia ser melhor... Ninguém reclamava.
Por grande ironia, minha mãe é parte daquele 1% que não teve um parto normal. Mas, tanto ela quanto eu, sempre tivemos claro em nossas mentes que ela caiu no "conto do médico cesarista". Coitada da minha mãe, eu não a culpo. Passou a vida inteira em um orfanato, saiu casada e menos de um ano depois, estava grávida. Que informações ela tinha? Não existia google, nem blogs. As revistas só falavam sobre quartos e enxoval. Que referencial ela tinha? Perdeu a mãe aos nove anos, mas sabia que ela tinha tido um parto instantâneo e "quase indolor", portanto, tinha até a esperança de ter "herdado" essa manha de "parideira" da mãe. Mas, aos 9 meses de gestação, vem aquele doutor sabetudo, dono da verdade, dizendo que o bebezinho dela (eu) está em sofrimento, com batimentos fracos, pode até morrer! O que ela vai fazer? Peitar o médico e dizer: "você está mentindo! Vou pagar pra ver! Vou pra casa deitar tranquilamente e esperar meu TP e se meu bebê realmente morrer aí eu concordo que o senhor estava certo?!" Comoassim?! E assim eu nasci. De cesárea. Sem TP. Sabe-se lá se já tinham 38 semanas de gestação (se as ultra hoje não são precisas, imagina as dos anos 80? Nem conseguiram ver meu sexo!). E hoje? Olha, saudável eu sou, mas tenhoasma. Será que tem alguma relação? Será que nasci com os pulmões prematuros? Nunca iremos saber. E, just in case, eu nem contei esse negóciopra minha mãe (dos pulmões imaturos, da cesárea, da asma), porque sinceramente, pra que faze-la sentir (mais) culpa, né?
Então que, para mim, a única opção para um parto saudável, fruto de uma gestação saudável e de baixo risco, sempre foi o normal. Mas eu desconhecia as outras vertentes, até porque, as minhas tias que tiveram parto normal, nunca entraram nos detalhes, nos pormenores como anestesia, episiotomia, tricotomia etc. Vai ver que elas até desconheciam esses procedimentos, nem sabiam que tinham nomes, não sabiam sequer que foram feitos! E pior, vai ver nem sabiam que poderiam ter sido evitados! É triste, mas é a realidade. Tiveram seuscorpos tocados, invadidos, revirados, por médicos que sequer sabiam seus nomes sem olhar na prancheta, que sequer lhes dava bom dia, quer sequer narrava os procedimentos que executava nos corpos DELAS e, com certeza, sequer lhes dava a opção de escolher pela realização ou não de um procedimento ou pela posição de parto.
Dito isso, quando entrei nessa grande mundo materno virtual, eu realmente vi como as coisas estavam funcionando. Vi que meu tão sonhado parto normal não era tão simples quanto eu imaginava. Não seria simplesmente entrar num consultório e conversar com o médico sobre os meus desejos, criar um plano de parto, ter liberdade para gestar e parir. Não, não seria assim. Dependendo do médico escolhido, jána primeira consulta, vem a IMPOSIÇÃO: "não faço parto normal, só cesárea agendada". Oi?! Eu entendi bem? Estou com 8 semanas, o senhor está me vendo pela primeira vez, sequer me examinou e já está dizendo que vou pra faca? Ah, que legal. Não muito obrigada. PRÓXIMO. Mas sabe que eu até prefiro esse primeiro tipo? Pelo menos ele é sincero logo de cara e não te faz perder tempo. Se você está realmente buscando um parto normal, vai pular fora desse cara logo na primeira consulta, lhe garantindo mais tempo hábil de achar um médico afinado com seus desejos. Agora, o que me dá mais ÓDIO, são aqueles médicos que passam a gestação inteira enganando, sacaneando a paciente. Ficam falando que vão fazer o parto normal que ela quer, ou vão evitando o assunto parto até o finalzinho, para quando chegar a hora oportuna, leia-se 38 semanas, começar o terrorismo pra garantir a cesárea. Começam a INVENTAR um monte de falsas indicações de cesárea, a aterrorizar a gestante (como fizeram com minha mãe) falando que o bebê está em perigo, até conseguir marcar a cirurgia. Sinceramente, para mim isso é CRIME, uma absurda falta de ética, mentir para o paciente para atender seus próprios interesses. Agora me diz, qual a mãe, principalmente de primeira viagem, que vai, a esta altura do campeonato, ir contra o seu médico e procurar outro, desconhecido? A maioria não faria isso, mas eu faria. Eu iria para o SUS, iria para qualquer lugar parir com o plantonista, mas não iria cair nas garras de um cesarista safado.
Mas eu espero não ter que fazer isso nas últimas semanas de gestação. Eu espero ter uma gestação tranquila e conseguir, desdeo comecinho, o tipo de acompanhamento de confiança, em linha com minha vontade de parir, que esteja comigo durante toda a gravidez e não me traga essas "surpresas" como descrito acima.
Na verdade, meu sonho mesmo seria um parto domiciliar. Mas cara, o lado financeiro pega muito. Fiquei contente quando a Nine me disse que no no Sudeste dá pra achar equipes humanizadas por valores razoáveis, menores do que eu tinha imaginado. Se eu encontrar uma equipe dessas aqui na minha cidade, apertando um bocado, acho que consigo pagar. Tomara que eu ache! A minha GO é boa, e não parece cesarista (nem do tipo descarada nem do tipo enganadora rsrs), mas sei que, parindo com ela, dificilmente eu vou conseguir me livrar da cascatade intervenções. E os procedimentos com o bebê? E se não me derem ele na hora pra mamar? Na minha casa eu teria toda a liberdade de fazer tudo isso... Ai, dúvidas, dúvidas!
No próximo post eu detalho essa questão do parto natural hospitalar X parto domiciliar, que tanto me aflige!
