quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Nota mental: não fantasiar

Desde muito novinha que eu fantasio muito, à respeito de tudo. Sempre idealizei muito as coisas. Isso em alguns momentos é uma qualidade pois, ao passo que idealizo, vou planejando, criando planilhas, ideias... pois é, minha idealização é um pouquinho racional, apesar de romântica rsrsrs. Mas, muitas vezes ela é minha vilã. Faz com que eu sonhe demais e aí já sabe né, quanto mais alto o voo, maior o tombo. É muito chato ficar idealizando cada detalhezinho de tudo quanto é coisa, por mais boba que pareça, e depois amargar uma frustração ou decepção porque aquilo não se realizou.

É claro que esse meu "aplicativo" já me trouxe muitos benefícios. Por causa dos meus sonhos desvairados de adolescente, que jurava que iria sair de casa aos 18 anos, foi que eu consegui essa façanha. Sonhei sim, mas também tracei metas, poupei grana, entrei na universidade, arrumei um estágio e ufa, arrumei meu cantinho. Foi maravilhoso ver todos aqueles planos de anos sair do papel. Eram planos minuciosos com planilhas determinando cada item que eu iria comprar para a casa nova: de talheres e vasilhas aos móveis e eletrodomésticos. Até hoje me delicio e me orgulho disso, e sou grata a Deus e à minha determinação por essa conquista tão importante e tão desejada.

O problema é que, quando o assunto é ser mãe, a idealização também existe e vai longe, muito longe. Acho que, automaticamente, após a minha "grande conquista" de adquirir minha independência eu já pensei no "próximo passo" que, na minha cabecinha, é a maternidade. Só que, nessa idealização materna o nível de razão é bem menor e o nível de "viagem na maionese" beeeem maior. Sonho desde 2008 com todo esse mundo materno e, é bem difícil para um pessoa (infelizmente) ansiosa e imediatista como eu manter um sonho como este apenas no papel e na mente por tantos anos. É doloroso e frustante ver que todo o "aparato" de que eu preciso para receber meu rebento parece nunca ficar pronto! Tal estrutura engloba um salário melhor (principalmente para o marido), terminar a facul e encontrar um apê maior pois o nosso atual é super minúsculo (eu já nem ligo mais que seja um apê alugado sabe, as coisas andam tão caras e burocráticas que, seu for esperar ter casa própria para ser mãe, vou parir com uns 50 anos! rs).

Mas porque toda essa "preparação" me dói, me fere, me é tão sofrida? Eu descobri a resposta depois de tanto "bater cabeça" por aí. Esperar é doloroso porque, para mim, essa espera não se justifica. Eu não acredito no poder e na eficácia disso, sabe? Se eu acreditasse piamente que esperar ter uma super renda mensal, estar com carro na garagem e apê espaçoso fossem parâmetros para garantir uma vida feliz em família, eu esperaria com tranquilidade porque eu estaria fazendo algo com o que concordo! Porém, eu não sou assim! Eu sou mais sensibilidade e instinto! Portanto, por mais que eu tente, eu nunca vou conseguir mudar o fato de que, para mim, o que eu preciso para ser mãe é o que eu já tenho dentro de mim e não o que o nosso mundo capitalista dita!!! No meu íntimo isso grita e é mais forte que eu. Grita me dizendo que o que eu preciso dar ao meu filho é amor, carinho, proteção, verdade, leite, pele, calor, compreensão! Sei que parece loucura mas, dinheiro, status, empregão, carrão, ficam em últimos lugares na minha lista, se é que entram nela!

Sei que vivemos em sociedade e num sistema capitalista e que muitas coisas importantes custam dinheiro. Sei que conforto e qualidade de vida, mesmo que do nível mais básico, também custam dinheiro. Educação, saúde, lazer e etc, custam (e às vezes, MUITO) dinheiro! Mas é irracional, é emoção pura esse meu desejo latente de ser mãe. Talvez tenha um ponta de participação das minhas facetas imediatista e ansiosa, sim. Mas é dureza viver com isso, parece que me falta um pedaço que nunca foi meu. Parece que sinto falta de um membro que nunca tive. E é a esse meu futuro(a) filho(a) que dedico um trecho de uma música do Renato Russo que não poderia definir melhor o que é essa espera toda para mim:

"E é só você que tem a cura do meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi." Índios - Legião Urbana.

Beijocas

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